Editorial

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A DOR DE JESUS, NOSSO IRMÃO SOFREDOR

A cristandade caminha anualmente a procissão em direção à Páscoa. Nesse ritual, poucos refletem sobre o que espiritualmente ocorreu. O Deus Criador, imortal, onipotente, morreu de maneira ignominiosa, tornando-se legalmente maldito pela morte na cruz. Foi igualado a malfeitores, e o Sumo bem se fez pecado.
A teologia por trás desse evento único e definidor é densa, e contém aprofundamentos cuja compressão é capital para o cristianismo, porém, não cabíveis neste espaço.
Peço a cada irmão que medite nesse tema pungente e dramático, que não se junte aos distraídos, apenas alegrando-se na cruz que Jesus, o Cristo, carregou sangrando e tropeçando. Qualquer um fica com o coração rasgado pelo sofrimento e amargura se nosso irmão, ou filho, sofrem uma injustiça na vida, uma traição, uma agressão física ou moral. Ao celebrarmos a Páscoa, façâmo-lo com o coração comovido e reverente, compartilhando com o Cristo sofredor a dor da humilhação suprema, a injustiça maior, e o atroz sofrimento moral e físico que nosso Senhor enfrentou por amor de nós, sem abrir sua boca. O próprio Deus, encarnado em Nosso Senhor Jesus, foi crucificado apesar de ter mostrado o supremo amor ao dar a vida por aqueles a quem amou. Cada cravo pregado em suas mãos deve dilacerar também nosso coração. Cada pancada que afundou os cravos nos seus benditos pés, e os espinhos cruéis que rasgaram sua fronte humilde e curvada diante de Sua missão redentora, devem doer em nossa alma. Tenhamos em mente que “o Amado dos céus padeceu e morreu na cruz”. Ao darmos graça pela cruz que Jesus carregou, não esqueçamos que ela era nossa, e que Ele tomou sobre Si nossas enfermidades e pecados, para que hoje possamos ter vida pela graça.
Tenhamos animando nossa alma a gratidão pelo sacrifício de Jesus, e sigamos Seu exemplo, “tomando nossa cruz” com alegria e fé. Com esse espírito excelente e amadurecido, a luz de Jesus que está em nós vai iluminar outras vidas, algumas encontradas acidentalmente, e até pessoas muito próximas por quem estamos orando há muitos anos.
Não teríamos a paz do perdão, a alegria e certeza da salvação, e a esperança da vida eterna com Deus se Jesus não tivesse derramado Seu sangue inocente naquela cruz, que, de direito, nos pertence.
Junto com a encarnação (Natal) e a Ressurreição de Jesus, a Cruz constitui o drama de 3 atos divinos do plano de Deus para redenção do ser humano, sendo seu ápice.
Se não tivermos essa consciência, faremos também parte da procissão ritual da cristandade distraída, que percorre festivamente as ruas da humanidade incrédula, indo em busca de sua asfixiante materialidade, que é a cruz da qual devemos escapar.

Leonardo Araújo
Membro da IPMoema