Arquivo – Editorial

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”. Romanos 1:17

Muitas pessoas vivem a seguinte contradição: se envergonham de coisas das quais não deveriam se envergonhar, e não se envergonham de coisas das quais deveriam se envergonhar.

Essa contradição não encontramos no apóstolo Paulo. Desde o dia em que seus olhos foram abertos para compreender e receber o evangelho da graça do Senhor Jesus, a boa nova do próprio Deus para este mundo perdido, ele jamais veio a se envergonhar do evangelho. Não que ele não fosse tentado a fazê-lo. Como afirmou certo comentarista bíblico, “não há sentido algum em afirmar que não se tem vergonha de alguma coisa a não ser que se tenha sido tentado a envergonhar-se dela”. Paulo conhecia essa tentação. Ele escreveu aos coríntios dizendo que fora até eles “em fraqueza, temor e com muito tremor”. Ele sabia que a mensagem da cruz era “loucura” para alguns e “escândalo” para outros porque ela nocauteia nossa justiça própria e fere nosso orgulho próprio. Sabia que aos olhos do mundo, o evangelho é desprezível.

E, quanto a nós? Muitos de nós hoje teríamos de confessar, com honestidade, que em alguns lugares, em determinadas situações, já nos envergonhamos do evangelho, talvez por medo de sermos desprezados ou taxados de fanáticos, ignorantes e alienados.

De acordo com Paulo, podemos superar a tentação de nos envergonharmos do evangelho ao trazermos à nossa lembrança que essa mesma mensagem que algumas pessoas desprezam em virtude de ela parecer uma loucura ou um escândalo é, na verdade, de onde emana o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. O poder de Deus é poder para salvação.

Como sabemos disso? Sabemos disso por experiência própria, porque experimentamos seu poder salvador em nossas próprias vidas. Se Deus já nos reconciliou consigo através de Cristo, se perdoou os nossos pecados, fez-nos filhos seus, deu-nos o Espírito Santo, começou a transformar-nos e nos tornou parte de sua igreja, então como é que podemos envergonhar-nos do Evangelho?

O Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: o evangelho é para todos; sua extensão é universal. O evangelho requer fé. Somente para os que creem é ele o poder de Deus. “O evangelho não pode ser assimilado, apropriado pela análise intelectual, por deduções lógicas ou por elucubrações indutivas ou ainda, por convicção intuitiva; nem por sugestão, por exposição, por ensino ou exemplo, mas unicamente pela fé” (Karl Barth).

Rev. José Roberto Silveira

Qual a essência do Primeiro Mandamento (Ex 20:3)? Lutero responde, em seu Catecismo: “Ter um Deus significa ter alguma coisa na qual o coração confia totalmente”. Um Deus é aquilo que se torna nossa fonte de confiança e pelo que demonstramos maior zelo. Seu Deus é aquele a quem você serve (Fp 3:19).

Nossa sociedade é repleta de deuses seculares. Apenas mudaram de nome. Eles continuam seduzindo e drenando a energia das pessoas. Nós estamos cercados de deuses, os quais a Bíblia chama de falsos deuses. Eles podem se chamar: Saúde, Beleza, Segurança, Felicidade, Prosperidade, Dinheiro, Prazer, Sexo, Bens, Poder, Capital, Trabalho, Fama, etc.

O coração humano pode usufruir e encontrar satisfação em muitas fontes. Entretanto, algumas dessas coisas acabam se tornando essenciais, fundamentais, sem as quais você não consegue viver. Você elege algo finito no lugar de Deus. Quando isso acontece, o caminho para sua destruição estará pronto. Depositar a sua confiança e todo sentido da sua vida em algo ou em alguém que não é Deus. Sim, elevar as coisas criadas à categoria última de Deus, é a nossa destruição.

Deus adverte: Não entregue sua lealdade e devoção a deuses que na realidade não são deuses. Não conceda um lugar supremo na sua vida a algo ou alguém que, no fim, só irá desapontá-lo e machucá-lo.

John Stott afirma: “Não precisamos adorar o sol, a lua e as estrelas para infringir o primeiro mandamento. Nós o infringimos sempre que damos o primeiro lugar em nossas vidas a qualquer pessoa ou coisa e não a Deus. Em vez disso, devemos amá-lo com todas as nossas forças e fazer de sua vontade nosso prazer e de sua glória nosso alvo”.

O Primeiro Mandamento chama a nossa atenção para a necessidade de relativização de todas as exigências pessoais e coletivas impostas ao ser humano. Para Jesus, até mesmo os laços humanos (pai, mãe, esposa e até a própria vida) devem ser colocados em segundo lugar (Lc 14.26), pois, Deus deve estar em primeiro lugar: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas….”.

Rev. José Roberto Silveira

Qual a essência do Primeiro Mandamento (Ex 20:3)? Lutero responde, em seu Catecismo: “Ter um Deus significa ter alguma coisa na qual o coração confia totalmente”. Um Deus é aquilo que se torna nossa fonte de confiança e pelo que demonstramos maior zelo. Seu Deus é aquele a quem você serve (Fp 3:19).

Nossa sociedade é repleta de deuses seculares. Apenas mudaram de nome. Eles continuam seduzindo e drenando a energia das pessoas. Nós estamos cercados de deuses, os quais a Bíblia chama de falsos deuses. Eles podem se chamar: Saúde, Beleza, Segurança, Felicidade, Prosperidade, Dinheiro, Prazer, Sexo, Bens, Poder, Capital, Trabalho, Fama, etc.

O coração humano pode usufruir e encontrar satisfação em muitas fontes. Entretanto, algumas dessas coisas acabam se tornando essenciais, fundamentais, sem as quais você não consegue viver. Você elege algo finito no lugar de Deus. Quando isso acontece, o caminho para sua destruição estará pronto. Depositar a sua confiança e todo sentido da sua vida em algo ou em alguém que não é Deus. Sim, elevar as coisas criadas à categoria última de Deus, é a nossa destruição.

Deus adverte: Não entregue sua lealdade e devoção a deuses que na realidade não são deuses. Não conceda um lugar supremo na sua vida a algo ou alguém que, no fim, só irá desapontá-lo e machucá-lo.

John Stott afirma: “Não precisamos adorar o sol, a lua e as estrelas para infringir o primeiro mandamento. Nós o infringimos sempre que damos o primeiro lugar em nossas vidas a qualquer pessoa ou coisa e não a Deus. Em vez disso, devemos amá-lo com todas as nossas forças e fazer de sua vontade nosso prazer e de sua glória nosso alvo”.

O Primeiro Mandamento chama a nossa atenção para a necessidade de relativização de todas as exigências pessoais e coletivas impostas ao ser humano. Para Jesus, até mesmo os laços humanos (pai, mãe, esposa e até a própria vida) devem ser colocados em segundo lugar (Lc 14.26), pois, Deus deve estar em primeiro lugar: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas….”.

Rev. José Roberto Silveira

Afinal, Deus criou ou não todas as coisas? Como cristão, eu não tenho dúvida que todas as coisas são obras das Suas mãos. Mas como um cientista, o que eu poderia dizer?

A resposta a essa pergunta tem sido a essência de um debate que tem se arrastado mais intensamente nesses últimos 150 anos e que geralmente aparece erroneamente no formato Ciência X Religião. Esse tema não é complexo. Apenas é mal entendido. Falta esclarecimento.

Façamos uma análise rápida do problema, quanto a Deus ter criado o mundo ou não. Honestamente, a Ciência não pode dizer nem “sim” nem “não” a essa questão.

Precisamos entender que a Ciência não possui ferramentas para provar a existência ou a inexistência de Deus. Alguns crêem na existência de um Ser Supremo (esses são chamados religiosos). Outros crêem que não existe nenhum Ser Superior (esses são chamados ateus). Lembre-se que dizer que Deus existe ou dizer que Ele não existe não é uma questão científica, mas única e tão somente de fé. Não é possível provar empiricamente que Deus existe! Como também não é possível provar empiricamente que Deus não existe! Assim sendo, tanto os cientistas religiosos quanto os cientistas ateus fazem as suas afirmações baseadas em suas crenças pessoais e não em evidências científicas. Dessa forma, a questão de Deus ter criado o mundo ou não, não diz respeito à Ciência, mas à Teologia.

A pergunta correta deveria ser: “O mundo foi criado ou teria surgido espontaneamente por meio de processos puramente naturais e leis da natureza?” Essa pergunta a Ciência pode e deve responder.

Vejamos um simples exemplo: Se você ao andar por uma praia deserta visse um castelo de areia muito bonito, com traços de beleza e arquitetura que o impressionasse, você diria que ele teria vindo a existência por meio da ação das ondas do mar ou que ele teria sido esculpido por alguma pessoa talentosa? Obviamente você diria que uma pessoa talentosa o teria esculpido. O que o levou a pensar que esse castelo de areia não teria surgido por ação das ondas do mar? Intuição apenas? Obviamente não!

A Ciência consegue distinguir entre algo que teria sido produzido por uma inteligência e algo que teria sido produzido por processos naturais e leis da natureza. Em outras palavras, a Ciência pode determinar se algo foi criado ou não. Podemos afirmar seguramente que tanto o universo quanto a vida foram criados. E podemos fazer isso graças à Ciência. No entanto, a Ciência com todo o seu conhecimento acumulado somente pode afirmar que a natureza foi criada. Aqui termina a sua capacidade.

Para se conhecer o Criador da natureza, seria necessário que Ele se revelasse à Sua criação. Aqui começa a relevância das Escrituras Sagradas: a Bíblia!

Dr. Adauto J.B. Lourenço

“chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos…” Jó 1:5

Jó era um homem muito rico. Inobstante, seus filhos eram alvo de suas orações toda madrugada.

Jó sabia que sucesso financeiro sem vida com Deus é fracasso consumado. Jó entendia que riqueza sem salvação é pobreza. John Rockfeller, o primeiro bilionário do mundo, disse que o homem mais pobre que conhecia era o indivíduo que só tinha dinheiro.

Os filhos de Jó eram ricos, mas isso não era tudo. Eles precisavam da graça de Deus.

Ainda hoje nós precisamos de pais que encontrem tempo para orar pelos filhos. Pais convertidos aos filhos.

Pais que não provoquem seus filhos à ira nem os deixem desanimados. Mas pais que criem seus filhos na disciplina e na admoestação do Senhor.

Precisamos de pais que ensinem seus filhos no caminho em que devem andar e não apenas o caminho.

Pais que amem a Deus e inculquem as verdades eternas na mente de seus filhos.

Precisamos de pais que sejam reparadores de brechas, intercessores fervorosos, que não abram mão de seus filhos.

Pais que orem pelos filhos e sejam exemplos para eles, cultivem a amizade entre os filhos e os apresentem a Deus.

Ó Deus bendito, que tu moldes homens mais comprometidos com a vida espiritual de sua família e mais interessados com a proclamação da tua glória infinita! Em nome de Jesus. Amém.

Rev. Hernandes Dias Lopes

No último domingo, uma das questões marcantes na mensagem trazida pelo pastor, foi, ao meu ver, o fato de que a Bíblia nos mostra que o Reino de Deus é um reino de inversão, e seus valores também são opostos aos que o mundo tenta incutir em nossas mentes. Tema presente a todo momento na Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, as inversões são pontos intrigantes. Desde “amar o seu inimigo”, “servir e não ser servido”, “salvar-se pela graça e não por mérito”, as Escrituras nos mostram uma série delas. Tome como exemplo o texto de Marcos 10.13-45:

Primeiramente, no episódio em que Jesus recebe as crianças. Segundo alguns comentaristas, nos escritos da época, as crianças eram apresentadas como exemplo de comportamento insensato ou como objetos a serem disciplinados. Mas nos versos 13 a 16, os valores são invertidos: elas são levadas a sério como pessoas e desfrutam de um relacionamento com Jesus e com o Reino. Por isso, “quem não receber o Reino de Deus como uma criança [sem intenção de poder ou status] de maneira nenhuma entrará nele” (v. 15).

Em seguida, um diálogo é estabelecido entre Jesus e o jovem rico, e logo depois há um ensino do Mestre sobre o perigo da confiança nas riquezas. Mais do que estabelecendo um parâmetro socioeconômico, Jesus ensina que, ainda que em alguns livros sapienciais a riqueza e a prosperidade fossem considerados sinais da bênção divina, a confiança nas riquezas era inútil para a salvação (lembrando os ensinos de Sl 49.5-7; 62.10 e Jr 17.11). Curioso é o ensinamento final (versos 28-30): quem deixa, ganha ainda mais – não só vantagens, mas também perseguição. E, logo depois, a inversão “muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros” (10.31).

Após prever o sofrimento do Messias (o que representa mais uma inversão, afinal, para os judeus, o Emanuel viria como um rei, com poder e suntuosidade), Jesus ensina a seus discípulos que, na comunidade que ele estava fundando, “quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos (v.43-44). Enfim, o Reino de Deus rege-se por princípios opostos ao do mundo.

Nosso desafio, portanto, é demonstrar uma vida transformada pelos valores da Palavra de Deus. É necessário renúncia e abnegação daquilo que temos e somos, para que, agindo em nós, entre nós e através de nós, o próprio Deus seja glorificado acima de tudo. É preciso determinação, intrepidez e fé para deixarmos a inércia, o egocentrismo e o apego aos valores do mundo (1Jo 2.16), mas temos a promessa de que aquele que começou boa obra em nós, há de completá-la (Fp 1.6).

Finalmente, reconheço que ao mesmo tempo em que fico maravilhado com as inversões que a Bíblia nos traz, também fico intrigado com esse assunto. Tantas vezes me questiono se esses paradoxos não são sinais de que tudo isso que pregamos e tentamos viver é uma loucura. Mas a Bíblia também me dá uma resposta fantástica para esta pergunta, invertendo a minha lógica: “Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são” (1Co 1.27-28).

Seminarista Carlos Scherrer

“Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça”. (1Pd 5:5)

Por que a graça é para os humildes? Humildes são aqueles que se esvaziam. Sim, se esvaziam de si mesmos, de sua vaidade, seu orgulho, autossuficiência, prepotência, arrogância.

A verdadeira humildade é quando imitamos Jesus: “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobree por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos (2Co 8:9). Paulo escreveu: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus. A si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou (Fp 2:5, 7-8).

Quanto mais vazios de nós mesmos, mais cheios de Deus seremos.

Vejo as pessoas tão cheias de si: cheias de vaidade pessoal, cheias de vontade própria, cheias de títulos, de cargos e posições, de posses, de bens, guarda-roupas cheios, despensas cheias, casas cheias de móveis caríssimos, mentes tão cheias de pensamentos maus e sujos, mãos cheias de sangue inocente, olhos cheios de inveja e adultério.

Vejo templos e catedrais cheios de pessoas, mas tão vazios de espiritualidade e temor a Deus.

Que bom seria se nos esvaziássemos de nós mesmos, abríssemos mão do lixo dentro de nós, e deixássemos que Deus nos enchesse com o Espírito Santo, com o amor, a alegria, a paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade, a humildade e o domínio próprio (Gl 5:22-23).

Sim, isto pode acontecer quando formos humildes de coração. A Palavra ensina que Deus concede graça aos humildes (Pv 3:34).

A graça é um presente de Deus, não a merecemos, mas ela nos é acessível em Jesus Cristo.

Rev. Messias Anacleto Rosa

Texto extraído do livro: Pela Graça, pg.71