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SOZINHO OU COM DEUS?

“ficando ele só; e lutava com ele um homem, até o romper do dia”. (Gênesis 32:24)

Quero destacar a primeira frase do versículo acima:  FICANDO ELE SÓ!  A frase complementar do mencionado versículo encaminha para outra situação.  Os versos anteriores do mesmo capítulo nos mostram  um pouco do momento  histórico que levou Jacó a procurar a SOLIDÃO.

Nas páginas dos dicionários e na experiência de muitos de nós,  SOLIDÃO  é o sentimento em que a pessoa sofre a sensação de um enorme vazio e isolamento. SOLIDÃO independe de distância e de estar  ou não no meio de uma multidão.

Na literatura humana, uma das primeiras referências à SOLIDÃO está numa das tragédias de Shakespeare, escrita em 1608 –  “Coriolanus”.  Desde que esteja sob  controle do indivíduo, estar sozinho pode ser uma experiência positiva, que traz um desejado alívio emocional. Esta foi a experiência de Jacó no ribeiro de Jaboque.

Foi a mesma experiência do oficial de cavalaria no filme “Dança com Lobos”, interpretado por Kevin Costner. Desta forma sentir-se sozinho pode ser um sentimento saudável.  Já o lado oposto, negativo, se manifesta em rejeição, abandono, inutilidade, ressentimento. É  quando o sentimento de solidão deságua na depressão.

A baixa autoestima pode dar início à desconexão social. Em outras palavras, à solidão no seu sentido doentio.  Lembram-se de um personagem famoso que era a página mais procurada da revista ‘O CRUZEIRO’? Os mais antigos  se lembram do AMIGO DA ONÇA, aquele sujeitinho  bem vestido, boa pinta, que andava  sempre aprontando e fazendo o leitor se esbaldar de rir.

O autor do AMIGO DA ONÇA foi o pernambucano Péricles. A ironia da história: enquanto fazia milhões de pessoas rirem, interiormente Péricles tinha baixa estima e terminou os seus dias numa semana de Natal fazendo a última piada: acendeu o gás do seu pequeno apartamento e antes de morrer colocou um cartaz na porta com a frase – POR FAVOR NÃO RISQUE FÓSFORO!

A perda de uma pessoa querida; a perda de um antigo emprego; a perda de um cantinho onde sempre viveu; a perda de um filho (por morte ou mudança); etc.  O sentimento de PERDA pode precipitar o distúrbio da solidão.

É interessante observar que a quantidade de contatos não é a mesma coisa que a qualidade nos relacionamentos.    E isto pode acontecer no seio da família, da escola, do local de trabalho, do clube e até mesmo  – se não tivermos cuidado – no ambiente da igreja! A SOLIDÃO está na esteira do crescimento populacional.  Tornou-se ainda mais comum nos tempos atuais.  Ao contrário do começo do século passado, quando as famílias eram mais estáveis, os divórcios eram raros, e os amigos eram mais chegados que irmãos.

Para Jean-Paul Sartre e outros defensores da  ‘escola existencialista’, a SOLIDÃO é parte fundamental da condição humana. E para tratar a solidão, há uma abordagem psiquiátrica que recomenda a terapia em grupo, como forma de conectar ou reconectar  o indivíduo a outras pessoas que enfrentam a mesma sensação.

A Bíblia nos mostra que Deus rompeu a solidão de Jacó. Ele pode romper  também a tua solidão ou a minha. O fato é que você pode sobreviver sem os outros, mas não pode sobreviver sem Deus.  Você pode não ter gente por perto, nem recursos materiais, mas não faltando DEUS você jamais se sentirá desamparado. Ele guiará você  através  dos desafios e revezes da vida para suportar e vencer o que quer que aconteça.

Em resumo, depender de Deus é mais seguro que enfrentar a vida sozinho.

Rev. Eudes Coelho

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